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segunda-feira, 23 de julho de 2012
Le Cool - Entrevista
Le Entrevista a Corsage por João Freire
O vosso trabalho, Música Bipolar Portuguesa, pretende ser exatamente o quê enquanto instrumento de comunicação?
O nosso último trabalho, "Música Bipolar Portuguesa", pretende ser, enquanto instrumento de comunicação, um passo qualitativo e quantitativo na carreira da banda, chegar a um novo público, cimentar um lugar privilegiado enquanto música pop de recortes clássicos, no que toca a estruturas simples, de conteúdo complexo, e acima de tudo, ser o mais transparente possível em relação à nossa forma de sentir e de estar perante a música. Fizémos o que queríamos e vamos fazer mais.
Sentem que o nosso país está preparado para tanta banda nova (e velha que apenas agora se está a dar a conhecer) que tem surgido nos últimos tempos? Ou com o tempo naturalmente vai ser feita uma triagem e certas bandas que até têm muito hype agora, podem "desaparecer"?
Em relação ao País estar preparado para o volume de bandas e artistas, sinceramente, este País, para mim, tem umas dimensões demasiado estranhas para poder responder a essa questão. Às vezes tem duas, outras cinco, outras simplesmente três. É um aquário pequeno, só cabe algum peixe. Por isso sai mais barato comer carne. Acredito que algum dia virá o Canibalismo, instituído desde a Primária. Sempre é melhor do que ensinarem os filhos a ligar os quatro piscas e ultrapassarem pela berma. Ontem fui jantar com uma amiga a Lisboa, já não ia à Capital há uns tempos, e vi uns tipos a filmar no Camões, barbicha Agá Éme, falavam mais alto que crianças de 5 anos, ok "já fomos vistos", e eis que um deles começou a divertir os outros imitando uma pessoa com deficiência, com um tremor forçado na perna direita enquanto atravessava de cá para lá nos semáforos. Deplorável. Andam os Paizinhos a pagar para isto. Não me entendas mal, não sou nenhum santo. Faço merda a toda a hora. Mas isto… olha… é a letra do "Nietzche Sushi Fashion Victim"… A produção nacional está mais viva que nunca. Saem discos bestiais toda a semana. Agora só nos falta gostar da nossa galinha e criá-la ao ar livre, longe dos "Nitro Fulanos".
As vossas influências podem ser claras. Algumas pelo menos. Tentam manter as raízes bem despertas ou procuram sempre um rompimento com o que já foi feito e como as coisas são feitas na generalidade?
As nossas influências são claras, ou quase. A maior parte de nós já gravou mais discos, pertenceu a outras bandas, ouviu muita coisa e muita gente até chegar a "MBP", e isso é saudável, obviamente. Não sentimos que pilhámos ninguém, ou que fomos atrás do corte de cabelo hipster. Sentimos que esta era a direção certa para nós. Adicionámos mais eletrónica, talvez, mais kraut, mais pistas, delays, mais identidade nas letras, mais parede no som, mais intencionalidade, mais qualquer coisa que nunca tínhamos feito antes.
O vosso single anda a rodar sem parar nas rádios, têm tirado partido desse tempo de antena? Contem-me o que têm andado a fazer na divulgação do vosso trabalho.
Temos tirado partido do airplay na Rádio. O single "Adeus Europa" tem passado. Também tem presente, e quem sabe, terá futuro. As pessoas que nos têm acompanhado nos concertos têm acarinhado a banda, os blogs também, [há uns dias] passámos na Rádio "Breakthru" em Nova Iorque. Temos participado em bastantes entrevistas para TV, Rádio e para Imprensa escrita e on-line. Vamos lançar o nosso segundo single em setembro, e ter datas marcadas pelo País.
Queremos representar Portugal na Eurovisão com o "Adeus Europa".
terça-feira, 10 de julho de 2012
DIF - Música com Consciência Colectiva
Música com Consciência Colectiva
Olhamos para a capa do novo álbum dos Corsage e vemos
um colete-de-forças com a bandeira nacional. O nome do
disco não deixa de ser menos impactante: “Música Bipolar
Portuguesa”. Pelas letras das novas canções mantém-se
a atitude interventiva. A resposta de Henrique Amoroso,
vocalista do grupo, não deixa margem para dúvidas:
“Decidimos recuperar o colete-de-forças, instrumento
que não é usado em Portugal há mais de 50 anos, e aplicálo
naquilo a que pensamos e sentimos ser o sentimento
geral dos portugueses, ou seja de clausura, de injustiça,
da privação de liberdade dos castelos de areia pantanosos
de democracias que nunca o foram. O colete-de-forças
é também uma metáfora para a responsabilização
dos criminosos que conduziram o País a este buraco,
inviabilizada pelas lacunas nada inocentes na nossa
constituição”.
Canções como “Adeus Europa”, o mais recente single
do grupo, ou “Dança do Não-Cumprimento” revelam
essa perspectiva interventiva que os Corsage querem ver
marcada na sua música. E, apesar de Henrique Amoroso
confessar que odeia “teorizar” sobre a mensagem das
letras, ainda assim não deixa de afirmar que o álbum
“Música Bipolar Portuguesa” “é um disco com imensas
referências específicas a cidades, situações e conceitos
particulares da nossa cultura. É um dos pontos fortes do
disco. Há uma consciência colectiva presente em todos
os temas, cuja força acreditamos ser o alicerce primordial
para toda e qualquer mudança”.
O álbum foi escrito e gravado entre os meses de Maio e
Julho do ano passado e, para o vocalista, nesse momento
“foi impossível ficar indiferente às mudanças drásticas
que estavam prestes a ser espoletadas”. A ambição de
“resumir numa só frase o sentimento geral de uma nação”
deu assim origem a este “Música Bipolar Portuguesa”,
cujo título não é uma crítica à produção musical nacional,
como explica Henrique Amoroso: “O título prende-se
precisamente com viver os tempos que correm sem
padecer, sem perder o maior tesouro, que são o amor e
alegria. Poderiam até tirar-nos tudo, mas isso não. Uma
boa forma de contrariar a crise é bombardear alguém com
um sorriso ou com uma gargalhada”.
Este novo álbum traz ainda uma outra mudança
para os Corsage. O inglês foi substituído pelas letras em
português: “Confesso que foi um processo em que eu fui
o meu pior inimigo. Na altura, a Sanja Chakarun tinha
deixado a banda e a necessidade de cantar em inglês
parece ter ido com ela de volta para a Eslovénia. Na altura
escrevi umas canções em nome próprio e esse entusiasmo
foi comigo para os Corsage. Acontece que, durante as
gravações e, à medida que as letras iam surgindo, eu era o
mais cruel dos críticos. Nunca estavam como eu queria”.
No entanto, no final tudo acabou por fazer sentido e “o
medo desapareceu”.
“Música Bipolar Portuguesa” estará no centro das
atenções durante os próximos tempos para os Corsage,
que revelam mesmo umas das ambições para o futuro:
“Representar Portugal na Eurovisão com o tema “Adeus
Europa”.
TexTo JOÃO MOÇO FoTo RITA CARMO
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Crítica MBP - copyfónico
Para chover no molhado, mais vale chover meu Verão
A Rádio não gosta de música. Mais. A Rádio não gosta dos portugueses. Se a Rádio gostasse dos portugueses, não os fazia miseráveis o dia inteiro,servindo-lhes música de uma pop duvidosa como quem vende pastelaria atrasada. A julgar pela Rádio, o país parou, algures entre o comunicado do MFA e a adesão à CEE. Pode não parecer, mas o texto em baixo é sobre o álbum “Música Bipolar Portuguesa” dos Corsage.
A decisão era difícil. Opção primeira: permanecer a banhos no Algarve, entretendo turistas mais desejáveis em praias de falésia ocre que estendidas como lagostas num Bank Holiday em Queens Park; opção segunda: rumar a Lisboa e assistir ao concerto dos Corsage no Cine Incrível (Almada).
Modificando um pouco a frase de um antigo anúncio publicitário, três vivas ao homem que mandou a club house do resort para o caralho e se enfiou em Almada Velha para ouvir boa pop em Português.
M80: A Rádio Salva Vidas
Leitor de CD avariado e sem antena no carro, a viagem pela A2 fez-se ao som da M80. Da única vez que ia adormecendo ao volante um Best Of dos Specials salvou-me a vida. Desta vez, foi a M80. À falta de frase mais escorreita, a M80 é, tipo, o que classificaria uma rádio de merda. No entanto, a forma nicho como se enquadra no mercado – todos os êxitos dos anos 70, 80 e 90 – não dá grande margem para dúvidas. Na falta de melhor, duas vírgula nove em três vezes sai música que podemos cantarolar – às vezes até com gosto. É uma rádio nostálgica. Uma nostalgia passageira, para pessoas em trânsito. Gostar de Phil Collins enquanto se rasga a A2, não faz mal a ninguém.
Entre um Phil Collins e outro, uns Police e uns D.A.D ou outra porcaria qualquer hard-rock-cabeleireira, os nossos GNR de Rui Reininho, parecem – e são – uma brisa de inteligência e intelectualidade Ibérica notável. E porquê? Porque fizeram as melhores canções pop em Português, que o público – e a rádio – irá ouvir em anos. Mas isso até nem é verdade, pois uma mão cheia de grupos portugueses anda a fazer boa e inteligente pop na nossa língua. Pop portuguesa que as rádios nacionais se escusam a passas – a M80, compreende-se, não passa por via editorial, as outras, por via da estupidez natural.
O Disco
Vamos então ao disco. Ouve um erro claro de observação do tio Copy aquando da audição de “Adeus Europa”, o single de avanço de “Música Bipolar Portuguesa”. Pensavámos que Henrique Amoroso, adoptaria agora em Português uma postura contestatária – o que só seria natural quando se passam anos a cantar noutra língua. “Expor-se” na língua de todos nós pode fragilizar o indivíduo. A mais, quando o indivíduo é o frontman duma banda experimentada e competente. Mas Amoroso apenas revela essa faceta crítica em “Adeus Europa”. Na pose e estilo, é o mesmo Amoroso dos Corsage antigos, um cronista dandy. E como cronista social musical, Amoroso conta em formato pop pequenas histórias e retalhos da vida de um médico de província. Médico, porque cura pela pop. De província, porque estudou nas grandes escolas Europeias mas permaneceu em Lisboa, para tratar apenas pequenas maleitas. Pelo amor à medicina e ao seu povo, acabou passando ao lado a glória internacional de, por exemplo, uns Belle and Sebastian.
E é isso que me deixa um bocado nervoso ao ouvir este disco. Temos aqui instrumentais pop arejados e saltitantes da melhor casta da pop internacional. Coisa que faria boa figura em qualquer festival na Europa. Ainda por cima, com o bónus do bom português. Ainda por cima, com o fulgor orelhudo duns GNR. E a Rádio? Nada. Onde anda a Rádio então? Anda entretida com a porcaria dos passes VIP e os bilhetes à borla para os amigos irem aos festivais de Verão e a puta da Lady Gaga, é o que é.
Dentro da pop moderna com referências clássicas, os Corsage são muito bons. Dentro da pop em geral, os Corsage são uns mauzinhos. E porquê? Porque em formato canção mostram e escondem com a destreza das mais experimentadas strippers de Albufeira. “Chuva no meu Verão” – com um título de fazer inveja a qualquer clássico dos anos 60 – é um exemplo. É pura maldade só repetir uma vez o verso/refrão “Chuva no meu Verão”.
Fossem os Corsage outros e repetiriam “Chuva no meu Verão” até… à Primavera do próximo disco. E, pois, é disso que o povo e a rádio gosta: repetição. Mas os Corsage são melhores do que isso. Como músicos experimentados (e cultos) sabem que o ponto de fervura é atingido apenas com uma repetição. Confie-se neles, portanto. Sabem o que fazem.
Outros temas, para além do excelente “Chuva no meu Verão” (single, anyone?): “Adeus Europa” (já falado no Copyfónico), o terno “Menina de Lisboa”, o entusiasmante “Laisser Tomber” ou mesmo os não menos orelhudos “Joana é Autista” ou “Nietzche Sushi Fashion Victim” (boa música, refrão menos cativante).
Longe de um qualquer distúrbio psiquiátrico (como pode sugerir o colete de forças da capa) “Música Bipolar Portuguesa” revela uns Corsage crescidos e em boa condição (física e mental) com um disco de Portugal, para os portugueses e em português, mas temperado por uma cama instrumental de vocação e inspiração internacionais. Estão no entanto presos a uma antiga ditadura. A ditadura da Rádio. Fossem os Corsage torturados no Tarrafal e nasceriam várias ruas Henrique Amoroso na Margem Sul.
O Concerto
A entrada em palco, alguns minutos depois das onze, revelou um quinteto seguro e confiante. Fez-se ao som de “Café Leopardo”, ao que se seguiu “Laissez Tomber”. Amoroso, de pose descomprometida, ligeriamente arty, cantou, dançou e agigantou-se em sombras na tela do Cine Incrível, onde a capa do disco se encontrava projectada.
A audiência – gente gira e com vontade de dançar – respondeu bem à sucessão de temas do disco, por vezes apresentados por Amoroso com referências especiais às (boas) letras. Findo o espectáculo, e porque a noite era de festa – a Two Tone Store, celebrava o quarto aniversário – à semelhança da M80, mas com estilo e bom gosto, houve Djs revisitando êxitos da melhor pop da década de 60, 70, 80 e 90.
Arriscamos citar, mais uma vez, “Chuva no meu Verão”, (numa de várias interpretações da frase) no que entendemos ser um recado dos Corsage a um Portugal que nunca muda de atitude, perdido numa ideia vaga entre ser genuíno ou imitação e, por isso, ignorando propostas válidas e consequentes como a dos Corsage: “Não me comove a instalação da tua prima/ De que me serve ter Nova Iorque à mão de barriga vazia?”
Não é todos os dias que aparece uma banda em português claramente pop algures entre uns Belle and Sebastian e a editora revivalista Memphis Industries (The Pipettes). Até, se lançassem um EP com algumas canções do disco cantadas por três miudas giras (algo entre as Doce e as Pipettes) não temos dúvidas que seria um estrondo de vendas, tipo Humanos indie. Se isso acontecesse, eu chamava-lhes As Corsettes.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Crítica - Diario Digital
Os Corsage introduzem um novo conceito: a «Música Bipolar Portuguesa», ancorada num passado de sonhos pop, agora anacrónicos.
O currículo dos músicos dos Corsage indica bandas como Pop Dell´Arte, More República Masónica e Raindogs e esse passado está todo em «Música Bipolar Portuguesa», título de humor refinadíssimo numa altura em que a bandeira é hasteada, tantas vezes com fundamento mas outras tantas apenas porque da mesma forma que a portugalidade era menosprezada, agora é vangloriada.
Aliás, se há banda que não se revê neste presente são os Corsage e basta atentar na ironia de letras como «Nietzche Sushi Fashion Victim» ou «Uterotopia» para se alcançar o desprezo com que olham para um tempo que também é seu em que, por exemplo, a música se transformou num espaço de afirmação social, ou por outras palavras, mais fortes, numa feira de vaidades.
Por aqui, evoca-se a mutação linguística dos Pop Dell´Arte, o risco dos GNR e a teatralidade de Morrissey, sem uma identidade muito generosa mas com uma sincera vontade de não banalizar. Ou como se o Rock Rendez-Vous reabrisse as portas não exactamente com as mesmas pessoas mas, pelo menos, com a mesma abertura de espírito e vontade de abrir caminho.
Esta «Música Bipolar Portuguesa» é para pessoas cultas que cultivam a memória. Esse é também o defeito de um disco de genuinidade inatacável: falta-lhe frescura e uma linguagem mais solta para não se assemelhar a um baú reconstruído. Não há mal nenhum em parar no tempo desde que não se torne uma obsessão. E, por vezes, cheira a mofo neste terceiro auto dos Corsage.
Davide Pinheiro
terça-feira, 5 de junho de 2012
Crítica Bandcom
Corsage - "Música Bipolar Portuguesa"
Os Corsage são um quinteto orgulhosamente lisboeta e português, algo que transparece ao longo de todos os temas de "Música Bipolar Portuguesa", o terceiro disco de originais da banda de Henrique Amoroso, Nuno Castêdo, Pedro Temporão, Nuno Damião e Carlos António Santos que conta com a colaboração vocal em algumas canções de Selma Uamusse (Wraygunn).
Depois de "Finito L' Amore", os Corsage constroem novamente um disco de puro encantamento e sedução onde envoltos em belíssimas letras e uma instrumentação altamente trabalhada, estão pormenores e detalhes que fazem de canções tais como "Nietzche Sushi Fashion Victim", "Joana é Autista", "Chuva no meu Verão", Menina de Lisboa" ou "Uterotopia" perfeitos arguidos que exigem com toda a sua culpa um botão replay sem fadiga. Tal como na própria cidade de Lisboa, existe um sentido muito próprio e rico da cosmopolis no CD, havendo referências a acontecimentos históricos, a cidades e culturas estrangeiras e a cenas do dia-a-dia que são descritas com a atenção e observação apenas tradicionais de escritores e obras ilustres. Um bouquet, um corsage que em certos momentos é instilado de vida pelas ideologias da ironia e do contraste, uma chamada de longo alcance de Morrissey a banhos na sua própria personalidade.
Mais do que bipolar, o disco é uma constante reunião de várias maneiras de atingir uma mise-en-scène da pop dos anos 80 e 90 de origem anglo-saxónica e também portuguesa, numa congelação perfeita dos GNR que ouvíamos, dos Divine Comedy que vamos ouvindo, dos Belle & Sebastian e Spiritualized que facilmente nos encantam. Mas pop com imaginação e introspecção, vulgar mas não vulgarizada, com análise, algum chiste e sem impaciência pela emancipação.
Se ao observarmos a capa deste disco podemos pensar numa imagética metafórica para um sem-número de situações sem futuro em Portugal e no resto do Mundo, já a música que se ouve dá claros sinais da jovialidade de um conceito antigo: a invencibilidade da melodia. Um dos discos do ano que poderá ser alvo de desatenção demagógica.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Press Release
Corsage editam "Música Bipolar Portuguesa" dia 18 de Junho
Ao terceiro disco, os Corsage deixam para trás o inglês e optam pela língua materna. Com a entrada de Nuno Castêdo (ex More República Masónica e actual Pop Dell'Arte) para a bateria, o som da banda tornou-se mais consistente e dançável. São onze canções gravadas entre Maio e Julho de 2011 por Hélder Nélson (Dead Combo, etc.), e misturadas por Eduardo Vinhas (Golden Pony Studios). A masterização do disco foi feita nos Estúdios da Valentim de Carvalho.
"Música Bipolar Portuguesa" mantém o foco nas canções, em continuidade com o anterior trabalho dos Corsage, adicionando-lhes elementos sonoros novos, nunca antes explorados pela banda (texturas electrónicas, muralhas de guitarras, ‘layers’ de vozes e ritmos kraut). É um disco com muitas camadas sonoras, cujo processo de gravação foi inspirado pelas técnicas de Phil Spector, com espaço para pormenores que teimam em se esconder mas que acabam por ser apanhados ao fim de algumas audições.
As letras foram beber a Mário de Sá Carneiro, Mário Henrique-Leiria, Mário Viegas, Jodorowsky, Gorge Orwell, Martin Amis, entre outros, e colaram-se à Puerta del Sol em Madrid, ou ao Dantas de Almada Negreiros. Há sempre um antagonismo presente em todo o disco, reforçado pela ideia de bipolaridade nas acções e nas palavras - País pobre, País Rico, Manifestação Hipermercado, Anti-capitalista filma com Iphone, Boné Camuflado óculos Ray Ban. É um disco que se foca na educação e consciência colectiva como alicerce de mudança, retratando o país com sentido de humor e com humor sentido.
A capa de "Música Bipolar Portuguesa" foi idealizada por Henrique Amoroso e desenhada e executada por Amores de Tóquio.
O single e respectivo vídeo "Adeus Europa" já estão disponíveis nas plataformas digitais e já pode ser escutado na rádio. O Concerto de Apresentação do Disco será no dia 14 de Junho no Music Box, em Lisboa, seguindo-se algumas datas. A presença no programa Planeta Música da RTP será exibida dia 9 de Junho.
Fica aqui o alinhamento:
1-Café Leopardo - (4:12)
2-Nietzche Sushi Fashion Victim - (3:40)
3-Menina de Lisboa - (3:08)
4-Laissez Tomber - (3:24)
5-Joana é Autista - (3:39)
6-Chuva no meu Verão - (3:34)
7-Dança do Não-Cumprimento - (2:37)
8-Úterotopia - (4:07)
9-Adeus Europa - (3:52)
10-Ondas Pele de Elefante - (3:01)
11-Miniver - (5:33)
A banda é composta por:
Henrique Amoroso – Voz
Carlos António Santos – Teclados
Nuno Damião – Guitarras eléctrica e acústica
Pedro Temporão – Baixo
Nuno Castêdo – Bateria
Selma Uamusse (Wraygunn, etc) participou nas canções 3. 4 e 10.
O disco estará à venda a partir do dia 18 de Junho.
MBP - crítica Blog Santos da Casa
Ao terceiro disco os Corsage armam-se em ginastas e dão uma pirueta seguida de cambalhota. Se este movimento não estiver bem treinado o atleta pode correr o risco de provocar uma lesão grave.
Quando se mete este disco a tocar e se olha para a capa, tudo nos parece estranho à partida. A capa idealizada pelo senhor da voz, Henrique Amoroso, é uma metáfora gigante sobre o actual estado do país. Portugal é um colete de forças que nos estrangula. Graficamente primeiro estranha-se e depois entranha-se. O nome do grupo e do disco só aparecem no verso e na lombada.
Mas a maior reviravolta dá-se a nível musical. A banda está mais rock e abandona o inglês. Escolhem agora para cantar a língua pátria.
Custa, dizer logo de caras que valeu a pena esta mudança. É necessário escutar mais vezes o disco. E é isso que fazemos.
Desde logo nos deparamos com uma outra forma de captar, produzir e masterizar os temas. O som está mais compacto. Assim sendo não se destacam instrumentos. O mesmo acontece com a voz, que maioria do tempo está vestida por esta densa camada de som, sendo que o único senão da coisa seja o facto de nos obrigar a elevar o som da aparelhagem para se tentarem captar as belas palavras escritas por Henrique Amoroso. Mas à sempre uma ou outra que nos escapa. Foi de certeza opção da banda registar a sua musica assim. Outro risco que correm, no meio de mais alguns. Para vos ser sincero não desgosto, se bem que seja mais adepto de uma voz mais límpida.
Quanto à construção musical, de referir que continuam aqui vincadas algumas das influências da banda, com o blues à cabeça. Só que tudo tocado de uma forma mais rasgada e acelerada. Nota-se também mais vincada neste disco a paixão que nutrem por uns Divine Comedy.
Numa época em que o lowfy volta a estar na moda, os Corsage, sem nos darem um disco demasiado sujo, enveredam por um caminho que até agora lhes estava distante. Assumem o risco sem medo. Desafiam os fieis seguidores. A ver vamos nos próximos tempos se valeu a pena esta mudança.
Uma coisa é certa, devemos aplaudir de pé gente que tem tomates para lançar discos em formato físico e ao mesmo tempo dar um passo de gigante na sua carreira.
Este “Música Bipolar Portuguesa” é um disco coerente e frontal. De difícil digestão. Contudo não provoca azia. E a cada nova audição se descobrem novos caminhos ainda por calcorrear.
E se este disco tem musicas que nos ficam na cabeça, caso do single “Adeus Europa”, então é porque os Corsage continuam a ser senhores de um talento que não se perde por mais voltas que a vida dê.
Nuno Ávila
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Entrevista em 2008 para o blog Vespa Gang Mod Club
Corsage; como uma canção.
Os Corsage fazem uma música com um travo ligeiramente retro mas que no entanto soa actual. Os Corsage fazem canções muito bonitas, nos instrumentos e nas vozes. Falei com alguns deles, o Pedro Temporão, o Henrique Amororo e a Sanja Chakarun no bar de jazz As Catacumbas no Bairro Alto. Era para o encontro ter sido no Lgare, o mod spot do Bairro mas o cenário também agradava e até inaugurou-se a sala de fumo.
O vosso som e conceito é pop assumido?
Pedro - A nossa música não é pop assumido, podia chamar-lhe uma fusão, só que a palavra fusão pode soar ás vezes um bocado má porque normalmente é sempre uma junção de estilos um bocado foleiros. Mas acaba por ser uma fusão de vários estilos mas sempre com uma tendência de formato canção.
Mas achas que faz falta boa pop hoje em dia? Pop de qualidade? Como a pop alternativa dos anos 80?
Pedro – Bem, eu não sou nenhum puto, ainda hoje a música pop me satisfaz...tu ao fim de tantos anos ainda consegues ouvir a música dos Smiths. A música pop faz sempre sentido, sempre fez, e nós queremos apostar nisso.
Vocês têm alguma década de referência...
Pedro – Como temos idades diferentes...vai sempre desde os anos 60 até hoje. Eu consigo ligar as décadas todas, o que me interessa de 60´s é quase identico ao que me interessa de 80´s, os 90´s das décadas acho que é a pior de todas, mas é a década deles por isso é problemático eu estar a falar disto, mas o que me interessa de 90´s é o que vêm de 80´s. O trip hop foi um pouco interessante....
Aquele vosso video que está no youtube têm uma estética um pouco oitentas.... É propositado?
Pedro – Foi por acaso.
Henrique – Os recursos não davam para mais.
Do EP editado para as novas músicas existem diferenças?
Henrique – Há uma grande diferença em termos estéticos, bem, nós apostamos no formato canção acima de tudo, portanto tem que partir sempre de uma boa canção para depois podermos estar à vontade para brincar ou para nos sentirmos confortáveis, é que somos uma banda muito eclética, temos alguma riqueza em termos de influências, algum bom gosto pessoal na minha óptica que nos permite estar um pouco à vontade e dar esse salto do EP para agora. Acho que foi um salto qualitativo muito grande.
Além do EP não editaram mais nada?
Henrique – Já participamos numa colectânea de tributo a um autor americano, o Scott Walker e participamos na colectânea de novo rock português pela Chiado Records.
Para o futuro álbum gravamos dezassete músicas, dessas falta negociar quais estarão no alinhamento final do disco ou não. São canções muito diferentes umas das outras mas com o tal ponto comum que é o formato canção. Mas estamos sempre em permanente evolução.
Pedro, já estiveste em várias bandas...
Pedro – Eu e o Carlos, que é curioso pois em todas as bandas em que toquei ele tocou também, desde uma banda dos oitentas com influência do pós punk, os Actvs Tragicvs, depois os Cello, mais electrónico, e os Raindogs, uma coisa mais Tindersticks, Nick Cave...
E Corsage? É um nome muito bonito, com um duplo sentido, de onde veio a ideia?
Pedro– Corsage foi o Henrique que sacou.
Henrique – É uma peça de vestuário feminino, o que por si só é uma estética um pouco pop e depois também pensei na abreviatura da era dos corsários, corsários age, que reflecte um bocado o estado social e politico em que vivemos.
Falando nessa questão social vocês tocaram a seguir ao Maxime na Crew Hassan a propósito do movimento Porta 65 fechada. Existe alguma preocupação social na vossa música?
Henrique – Claro, é impossivel ficares indiferente ás questões sociais pelas quais reges a tua vida, mas não é uma banda politica, é uma banda social, não social democrata entenda-se...
Eles tocam dia 5 de Abril no Bacalhoeiro com direito a DJ set dos próprios e do José dos Partners in Crime. O Gang vai lá estar. Enquanto não chega o dia podem ir ao myspace dar uma “ouvidela”. aqui
Os Corsage fazem uma música com um travo ligeiramente retro mas que no entanto soa actual. Os Corsage fazem canções muito bonitas, nos instrumentos e nas vozes. Falei com alguns deles, o Pedro Temporão, o Henrique Amororo e a Sanja Chakarun no bar de jazz As Catacumbas no Bairro Alto. Era para o encontro ter sido no Lgare, o mod spot do Bairro mas o cenário também agradava e até inaugurou-se a sala de fumo.
O vosso som e conceito é pop assumido?
Pedro - A nossa música não é pop assumido, podia chamar-lhe uma fusão, só que a palavra fusão pode soar ás vezes um bocado má porque normalmente é sempre uma junção de estilos um bocado foleiros. Mas acaba por ser uma fusão de vários estilos mas sempre com uma tendência de formato canção.
Mas achas que faz falta boa pop hoje em dia? Pop de qualidade? Como a pop alternativa dos anos 80?
Pedro – Bem, eu não sou nenhum puto, ainda hoje a música pop me satisfaz...tu ao fim de tantos anos ainda consegues ouvir a música dos Smiths. A música pop faz sempre sentido, sempre fez, e nós queremos apostar nisso.
Vocês têm alguma década de referência...
Pedro – Como temos idades diferentes...vai sempre desde os anos 60 até hoje. Eu consigo ligar as décadas todas, o que me interessa de 60´s é quase identico ao que me interessa de 80´s, os 90´s das décadas acho que é a pior de todas, mas é a década deles por isso é problemático eu estar a falar disto, mas o que me interessa de 90´s é o que vêm de 80´s. O trip hop foi um pouco interessante....
Aquele vosso video que está no youtube têm uma estética um pouco oitentas.... É propositado?
Pedro – Foi por acaso.
Henrique – Os recursos não davam para mais.
Do EP editado para as novas músicas existem diferenças?
Henrique – Há uma grande diferença em termos estéticos, bem, nós apostamos no formato canção acima de tudo, portanto tem que partir sempre de uma boa canção para depois podermos estar à vontade para brincar ou para nos sentirmos confortáveis, é que somos uma banda muito eclética, temos alguma riqueza em termos de influências, algum bom gosto pessoal na minha óptica que nos permite estar um pouco à vontade e dar esse salto do EP para agora. Acho que foi um salto qualitativo muito grande.
Além do EP não editaram mais nada?
Henrique – Já participamos numa colectânea de tributo a um autor americano, o Scott Walker e participamos na colectânea de novo rock português pela Chiado Records.
Para o futuro álbum gravamos dezassete músicas, dessas falta negociar quais estarão no alinhamento final do disco ou não. São canções muito diferentes umas das outras mas com o tal ponto comum que é o formato canção. Mas estamos sempre em permanente evolução.
Pedro, já estiveste em várias bandas...
Pedro – Eu e o Carlos, que é curioso pois em todas as bandas em que toquei ele tocou também, desde uma banda dos oitentas com influência do pós punk, os Actvs Tragicvs, depois os Cello, mais electrónico, e os Raindogs, uma coisa mais Tindersticks, Nick Cave...
E Corsage? É um nome muito bonito, com um duplo sentido, de onde veio a ideia?
Pedro– Corsage foi o Henrique que sacou.
Henrique – É uma peça de vestuário feminino, o que por si só é uma estética um pouco pop e depois também pensei na abreviatura da era dos corsários, corsários age, que reflecte um bocado o estado social e politico em que vivemos.
Falando nessa questão social vocês tocaram a seguir ao Maxime na Crew Hassan a propósito do movimento Porta 65 fechada. Existe alguma preocupação social na vossa música?
Henrique – Claro, é impossivel ficares indiferente ás questões sociais pelas quais reges a tua vida, mas não é uma banda politica, é uma banda social, não social democrata entenda-se...
Eles tocam dia 5 de Abril no Bacalhoeiro com direito a DJ set dos próprios e do José dos Partners in Crime. O Gang vai lá estar. Enquanto não chega o dia podem ir ao myspace dar uma “ouvidela”. aqui
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Texto do Festival Microsonidos
Portugal se despereza. Se lava la cara, tras haberse quedado durmiendo con tanto fado. Desde que llegaron Norton, X-Wife o Plastica, Portugal no es ese país de música tristona. Y si alguien piensa que Portugal tira la toalla algún año en cuanto a indie, no se preocupen. Corsage ya la han cogido del suelo y se la han echado al cuello para venirse de gira a España. Vienen con muchas ganas de hacerse hueco entre el público español y empiezan bien, porque en Radio 3 los han nombrado “grupo portugués del año”. Un título al que tenemos que acostumbrarnos y no perder de vista. Juegos de voces y una instrumentación tan sencilla que recuerdan al Tigermilk de Belle & Sebastian; y un carismático cantante con un estilo Rufus Wainwright es una buena forma de empezar la reconquista.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Studentradioen i Bergen, Norway
Corsage – Dried Up, River Blues.
Nylig slapp portugisiske Corsage albumet “Finito L’Amore”, hvor “Dried Up,River Blues” er hentet fra. Tidligere har Corsage blatn annet gitt ut en ep, bidratt med en coverlåt til en portugisisk Scott Walker-hyllestutgivelse, blitt valgt ut til samleplata “Novo Rock Portugues” (Ny portugisisk rock), og fått en låt med på soundtracket til en portugisisk såpeserie. Videoen til “Dried Up, River Blues” gir lovnader om et Of Montreal-inspirert liveshow; både med mannlig vokalist ikledd korsett og tyllskjørt og en trapesturnende dame. For min del hører det med til sjeldenhetene å snuble over indiepop fra Lisboa, men Corsage fungerer definitivt som utmerkede ambassadører for videre utforskning!
Gudrun
Newly released Portuguese Corsage album "L'Amore Finito", where "Dried Up,River Blues "is taken from. Previously Corsage released a ep, contributed a cover of a Portuguese Scott Walker-tribute release, has been selected for the compilation "Novo Rock Portugues "(New Portuguese rock), and had a song on the soundtrack for
a Portuguese soap. The video for "Dried Up, River Blues" gives promise about an Of Montreal-inspired live show, with both male vocalist dressed corset and tulle skirt and a trapesturnende lady. Personally, I hear it rare to stumble upon indie pop from Lisbon, but Corsage works definitely as excellent ambassadors for further exploration!
http://srib.no/spillelista/spilleliste-uke-22/
Nylig slapp portugisiske Corsage albumet “Finito L’Amore”, hvor “Dried Up,River Blues” er hentet fra. Tidligere har Corsage blatn annet gitt ut en ep, bidratt med en coverlåt til en portugisisk Scott Walker-hyllestutgivelse, blitt valgt ut til samleplata “Novo Rock Portugues” (Ny portugisisk rock), og fått en låt med på soundtracket til en portugisisk såpeserie. Videoen til “Dried Up, River Blues” gir lovnader om et Of Montreal-inspirert liveshow; både med mannlig vokalist ikledd korsett og tyllskjørt og en trapesturnende dame. For min del hører det med til sjeldenhetene å snuble over indiepop fra Lisboa, men Corsage fungerer definitivt som utmerkede ambassadører for videre utforskning!
Gudrun
Newly released Portuguese Corsage album "L'Amore Finito", where "Dried Up,River Blues "is taken from. Previously Corsage released a ep, contributed a cover of a Portuguese Scott Walker-tribute release, has been selected for the compilation "Novo Rock Portugues "(New Portuguese rock), and had a song on the soundtrack for
a Portuguese soap. The video for "Dried Up, River Blues" gives promise about an Of Montreal-inspired live show, with both male vocalist dressed corset and tulle skirt and a trapesturnende lady. Personally, I hear it rare to stumble upon indie pop from Lisbon, but Corsage works definitely as excellent ambassadors for further exploration!
http://srib.no/spillelista/spilleliste-uke-22/
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Parq
Corsage, Pelo Gume, Na Revista Parq (Aqui a Versão Não Editada)
CORSAGE: FINITO L’AMORE, COMEÇOU A MÚSICA…
Nome em francês, título do álbum em italiano, letras em inglês, colectânea em Espanha, banda portuguesa… Parece que falam do fim do amor, mas em Corsage há um pouco de tudo e, como dizem, “tomorrow is never goodbye”.
Corsage, palavra francesa, pode ser um arranjo de flores num vestido de senhora ou em volta do pulso. Este adereço é (cumprindo-se a tradição) usado pelas mães e avós dos noivos numa cerimónia de casamento. O termo também representa o corpete de um vestido. O seu uso transformou-se, consoante as tendências, quer nas fábricas, quer nas passerelles. Com o tempo, também o termo evoluiu, e hoje, ainda que tenha os seus floreados, é bem mais do que flores ou vestuário de senhora. É uma banda de cinco espirituosos elementos e, ocasionalmente, em concertos, vestuário de senhor, em particular do seu vocalista, Henrique Amoroso.
Nascidos para a música em data não determinada, mas uns para os outros em 2004, fruto do encontro entre Pedro Temporão (baixo – Raindogs, Cello e Actvs Tragicvs), Carlos António Santos (teclados e acordeão – Actvs Tragicvs), Nuno Damião (guitarras e sopros), Henrique Amoroso (voz e percussão) e Rui Coelho (bateria), a banda começou por lançar um EP homónimo, editado pela Camouflage Records com distribuiçao de Música Activa, em que já se afirmava a personalidade do som pop alternativo/ indie com que os seus membros estabelecem afinidades. Poderá apontar-se-lhes a influência de Tindersticks, Leonard Cohen, The Triffids, Morrisey (durante e pós The Smiths), ainda que, disto, digam apenas estarem sóbrios. Amoroso reconhece que “são influências que temos e não podemos negar, isso seria como andar nú pelo Chiado e esperar que as pessoas não olhassem”.
Em 2005 participaram, com uma versão de Scott Walker, na colectânea "Angel of Ashes" de homenagem ao muito referenciado músico britânico, editada pela Transformadores. Seguiu-se em 2007 a integração na colectânea "Novo Rock Português" com o tema “Gate Creepers”, edição da Chiado Records.
Finito L’Amore, já com Nuno Castêdo (Pop dell’Arte) na bateria, lança os seus sons em 2009, numa edição de autor com distribuição da Compact Records. A alteração na formação, segundo Nuno Damião, reflecte-se na música, mas o objectivo de gravar boas canções pop permanece. O músico destaca ainda a aposta em instrumentos como o trompete, o clarinete-baixo, o violino e o acordeão, na busca de uma sonoridade mais tímbrica e acessível. Deste trabalho extrai-se o tema de apresentação “All Their Faces” para a colectânea Pop Nation Vol.2, da editora espanhola Bon Vivant Records. Este tema, dos mais apelativos, poderá ser entendido como uma apresentação do grupo, afirmando o seu espaço musical e demarcando-se dos demais.
A produção ficou a cargo de Helder Nélson (Dead Combo, Mikado Lab), com participação especial de Sanja Chakarun (que contribuiu com voz e letras); de Gonçalo Lopes (Alfa Arroba, iNTeRLúNio, In-Canto), amigo de longa data, no clarinete-baixo; e Carlos Santa Clara, introduzido por Hélder Nelson, no violino.
Lançado «Finito L’Amore», os Corsage conquistaram a crítica e o público. Vistos como autores de uma indie romântica divertida, passeiam o seu som entre a melancolia, o vintage, o vaudeville e um humor cáustico. Em Maio de 2009 este reconhecimento foi além fronteiras, e o júri dos Prémios Internacionais da Música e Criação Independente, atribuiu-lhes o prémio de melhor grupo português de 2009. A cerimónia de entrega decorrerá a 26 de Setembro no Gran Teatro de Cáceres.
Constituído por 13 faixas mais um interlúdio, em vinil virtual (lados A e B, distinguidos por um intervalo que não tem forçosamente de representar uma pausa), suporta a simbologia das duas faces da sua música, uma dominantemente pop, mais enérgica, a outra mais folk/ vaudeville e instrospectiva.
O vaudeville, quase burlesco, em que Kim WIlde e Oscar Wilde podem ter algo em comum, é aliás uma das suas roupagens mais significativas, reflectida em particular nas actuações ao vivo da banda, que assume uma postura vivamente teatral. Amoroso canta o fim e o princípio dos amores e seus derivados encorpando, como vimos, um corsage e as músicas são muitas vezes tão actuadas quanto cantadas.
Aliás, Finito L’Amore é uma colecção de short stories: Corsage e os outros (All Their Faces), esperança (Dried Up River Blues), desiquilíbrio quotidiano (Trapezist), Finito L’Amore – “on Sundays there’s never much to do” (Along The Line), o Homem-Animal escravo de si próprio (Man Is My Favourite Animal), sátira aos Media (Gatekeepers), interlúdio carnavalesco ou L’Experience Continue (Intervalo), exortação contra a passividade “tomorrow is never goodbye” (John, John, John), a amnésia do fim que reduz o amor ao anonimato (Annonymous Ann), a jukebox de sonhos: pela música, L’Amore Infinito (Jukebox Made of Dreams), o esforço de recuperação da inocência (Viva La Gradisca), a ilusão necessária (Tenderville), a incerteza e a necessidade de tentar (West Side of the Town).
O amor, a ilusão (“é preciso fingir para acreditar” – Amoroso), o desejo, o risco, a inocência, atravessam uma ideia central, Viva La Gradisca!, num resumo musical do brilhante Amarcord de Federico Fellini. Transcriçao fonética do dialecto da Emilia-Romagna, de onde Fellini era oriundo, para io mi ricordo (eu lembro-me), o filme é uma afirmação da memória, na recuperaçao do momento de transição da inocência para a maturidade através da educação sexual de Tatti e de uma Itália recentemente unificada e relativamente livre para o regime fascista de Mussolini. La Gradisca é, por sua vez, uma região italiana multilingue de Friuli, Venezia-Giulia, na fronteira com a Eslovénia e a Áustria. A palavra é terceira pessoa do imperativo e presente do conjuntivo do verbo italiano gradire, que quer dizer “desejar”, “querer”, “aprazer” e não é por acaso que esse é também o nome da mulher mais bonita e desejada de Amarcord. Nem é por acaso que Viva La Gradisca! é a canção que afinal reúne a essência destas 13 histórias, na celebração melancólica de uma inocência que passou e não se quer perder, pelo circo da vida em que se assume que, pela música: “Cirque du Soleil/ Stanotte si festegierá / al vecchio teatro”. Como confirma Amoroso, “dizer "Viva La Gradisca!" é reconhecer aqueles que mantiveram o seu tesouro ao longo do saque”, o saque da maturidade e dos constrangimentos sociais, do mesmo modo que dizer “Finito L’Amore”na sua dicotomia com “Amore Infinito” (Nuno Damião) é uma forma de preservar a esperança de “A new life, a new start” (Viva La Gradisca!).
Para Amoroso, "o conteúdo trucida a forma se esta não tiver pernas para correr"; mas a forma da música de Corsage, numa recuperaçao da obra-prima de Nino Roti, responsável pela banda sonora de Amarcord, a sua música, desafiadora e coerente, tem pernas para isto e bem maiores distâncias. Imaginando a música como um mergulho profundo, o vocalista diz que “o que interessa não é ir lá abaixo, mas apreciar a viagem"; e a música é comunicação, “mesmo nos intervalos ou momentos de silêncio, como acontece com um autista”. Pelos próprios, “Corsage é uma espécie de contraceptivo social que queremos ver usado apenas com fins recreativos, como se faz aos doze anos e se enche os contraceptivos com água e depois se atira a alguém de quem se gosta pouco. Corsage é o fim derradeiro que nunca começa". É um Peter Pan que relembra que a infância não tem de perder-se e é sempre possível. Esta nostalgia de um passado presente sobressai também no aspecto gráfico do disco.
Este regresso não é porém regressão, e a banda reconhece que, desde 2004, “Corsage cresceu, mas a verdadeira transformação ainda está por acontecer”. Vendo a música como partilha, crê que “egoista é ficares em casa com medo e acenderes o televisor. A música faz as pessoas virem-se juntas.”
Pretendem por isso continuar a apresentar ao vivo “Finito L’Amore’ e compor novas canções. Com actuações previstas para Setembro e Outubro (Ler Devagar, Cáceres, Maxime), aconselham-nos a “como Daffy Duck, expect the unexpected”.
Corsage está portanto no princípio. Ganhou uma entrada para “o rico, iluminado e vasto meio boémio português”, mas com a consciência de que “se quiser mudar alguma coisa terá que trabalhar mais”. Por agora, “queremos é que leiam as letras”. Cada um tirará o seu significado; e, se, Along the Line, o fim, na letra, chega ao Domingo (on Sundays there’s nothing much to do), para Corsage, hoje é segunda-feira.
CORSAGE: FINITO L’AMORE, COMEÇOU A MÚSICA…
Nome em francês, título do álbum em italiano, letras em inglês, colectânea em Espanha, banda portuguesa… Parece que falam do fim do amor, mas em Corsage há um pouco de tudo e, como dizem, “tomorrow is never goodbye”.
Corsage, palavra francesa, pode ser um arranjo de flores num vestido de senhora ou em volta do pulso. Este adereço é (cumprindo-se a tradição) usado pelas mães e avós dos noivos numa cerimónia de casamento. O termo também representa o corpete de um vestido. O seu uso transformou-se, consoante as tendências, quer nas fábricas, quer nas passerelles. Com o tempo, também o termo evoluiu, e hoje, ainda que tenha os seus floreados, é bem mais do que flores ou vestuário de senhora. É uma banda de cinco espirituosos elementos e, ocasionalmente, em concertos, vestuário de senhor, em particular do seu vocalista, Henrique Amoroso.
Nascidos para a música em data não determinada, mas uns para os outros em 2004, fruto do encontro entre Pedro Temporão (baixo – Raindogs, Cello e Actvs Tragicvs), Carlos António Santos (teclados e acordeão – Actvs Tragicvs), Nuno Damião (guitarras e sopros), Henrique Amoroso (voz e percussão) e Rui Coelho (bateria), a banda começou por lançar um EP homónimo, editado pela Camouflage Records com distribuiçao de Música Activa, em que já se afirmava a personalidade do som pop alternativo/ indie com que os seus membros estabelecem afinidades. Poderá apontar-se-lhes a influência de Tindersticks, Leonard Cohen, The Triffids, Morrisey (durante e pós The Smiths), ainda que, disto, digam apenas estarem sóbrios. Amoroso reconhece que “são influências que temos e não podemos negar, isso seria como andar nú pelo Chiado e esperar que as pessoas não olhassem”.
Em 2005 participaram, com uma versão de Scott Walker, na colectânea "Angel of Ashes" de homenagem ao muito referenciado músico britânico, editada pela Transformadores. Seguiu-se em 2007 a integração na colectânea "Novo Rock Português" com o tema “Gate Creepers”, edição da Chiado Records.
Finito L’Amore, já com Nuno Castêdo (Pop dell’Arte) na bateria, lança os seus sons em 2009, numa edição de autor com distribuição da Compact Records. A alteração na formação, segundo Nuno Damião, reflecte-se na música, mas o objectivo de gravar boas canções pop permanece. O músico destaca ainda a aposta em instrumentos como o trompete, o clarinete-baixo, o violino e o acordeão, na busca de uma sonoridade mais tímbrica e acessível. Deste trabalho extrai-se o tema de apresentação “All Their Faces” para a colectânea Pop Nation Vol.2, da editora espanhola Bon Vivant Records. Este tema, dos mais apelativos, poderá ser entendido como uma apresentação do grupo, afirmando o seu espaço musical e demarcando-se dos demais.
A produção ficou a cargo de Helder Nélson (Dead Combo, Mikado Lab), com participação especial de Sanja Chakarun (que contribuiu com voz e letras); de Gonçalo Lopes (Alfa Arroba, iNTeRLúNio, In-Canto), amigo de longa data, no clarinete-baixo; e Carlos Santa Clara, introduzido por Hélder Nelson, no violino.
Lançado «Finito L’Amore», os Corsage conquistaram a crítica e o público. Vistos como autores de uma indie romântica divertida, passeiam o seu som entre a melancolia, o vintage, o vaudeville e um humor cáustico. Em Maio de 2009 este reconhecimento foi além fronteiras, e o júri dos Prémios Internacionais da Música e Criação Independente, atribuiu-lhes o prémio de melhor grupo português de 2009. A cerimónia de entrega decorrerá a 26 de Setembro no Gran Teatro de Cáceres.
Constituído por 13 faixas mais um interlúdio, em vinil virtual (lados A e B, distinguidos por um intervalo que não tem forçosamente de representar uma pausa), suporta a simbologia das duas faces da sua música, uma dominantemente pop, mais enérgica, a outra mais folk/ vaudeville e instrospectiva.
O vaudeville, quase burlesco, em que Kim WIlde e Oscar Wilde podem ter algo em comum, é aliás uma das suas roupagens mais significativas, reflectida em particular nas actuações ao vivo da banda, que assume uma postura vivamente teatral. Amoroso canta o fim e o princípio dos amores e seus derivados encorpando, como vimos, um corsage e as músicas são muitas vezes tão actuadas quanto cantadas.
Aliás, Finito L’Amore é uma colecção de short stories: Corsage e os outros (All Their Faces), esperança (Dried Up River Blues), desiquilíbrio quotidiano (Trapezist), Finito L’Amore – “on Sundays there’s never much to do” (Along The Line), o Homem-Animal escravo de si próprio (Man Is My Favourite Animal), sátira aos Media (Gatekeepers), interlúdio carnavalesco ou L’Experience Continue (Intervalo), exortação contra a passividade “tomorrow is never goodbye” (John, John, John), a amnésia do fim que reduz o amor ao anonimato (Annonymous Ann), a jukebox de sonhos: pela música, L’Amore Infinito (Jukebox Made of Dreams), o esforço de recuperação da inocência (Viva La Gradisca), a ilusão necessária (Tenderville), a incerteza e a necessidade de tentar (West Side of the Town).
O amor, a ilusão (“é preciso fingir para acreditar” – Amoroso), o desejo, o risco, a inocência, atravessam uma ideia central, Viva La Gradisca!, num resumo musical do brilhante Amarcord de Federico Fellini. Transcriçao fonética do dialecto da Emilia-Romagna, de onde Fellini era oriundo, para io mi ricordo (eu lembro-me), o filme é uma afirmação da memória, na recuperaçao do momento de transição da inocência para a maturidade através da educação sexual de Tatti e de uma Itália recentemente unificada e relativamente livre para o regime fascista de Mussolini. La Gradisca é, por sua vez, uma região italiana multilingue de Friuli, Venezia-Giulia, na fronteira com a Eslovénia e a Áustria. A palavra é terceira pessoa do imperativo e presente do conjuntivo do verbo italiano gradire, que quer dizer “desejar”, “querer”, “aprazer” e não é por acaso que esse é também o nome da mulher mais bonita e desejada de Amarcord. Nem é por acaso que Viva La Gradisca! é a canção que afinal reúne a essência destas 13 histórias, na celebração melancólica de uma inocência que passou e não se quer perder, pelo circo da vida em que se assume que, pela música: “Cirque du Soleil/ Stanotte si festegierá / al vecchio teatro”. Como confirma Amoroso, “dizer "Viva La Gradisca!" é reconhecer aqueles que mantiveram o seu tesouro ao longo do saque”, o saque da maturidade e dos constrangimentos sociais, do mesmo modo que dizer “Finito L’Amore”na sua dicotomia com “Amore Infinito” (Nuno Damião) é uma forma de preservar a esperança de “A new life, a new start” (Viva La Gradisca!).
Para Amoroso, "o conteúdo trucida a forma se esta não tiver pernas para correr"; mas a forma da música de Corsage, numa recuperaçao da obra-prima de Nino Roti, responsável pela banda sonora de Amarcord, a sua música, desafiadora e coerente, tem pernas para isto e bem maiores distâncias. Imaginando a música como um mergulho profundo, o vocalista diz que “o que interessa não é ir lá abaixo, mas apreciar a viagem"; e a música é comunicação, “mesmo nos intervalos ou momentos de silêncio, como acontece com um autista”. Pelos próprios, “Corsage é uma espécie de contraceptivo social que queremos ver usado apenas com fins recreativos, como se faz aos doze anos e se enche os contraceptivos com água e depois se atira a alguém de quem se gosta pouco. Corsage é o fim derradeiro que nunca começa". É um Peter Pan que relembra que a infância não tem de perder-se e é sempre possível. Esta nostalgia de um passado presente sobressai também no aspecto gráfico do disco.
Este regresso não é porém regressão, e a banda reconhece que, desde 2004, “Corsage cresceu, mas a verdadeira transformação ainda está por acontecer”. Vendo a música como partilha, crê que “egoista é ficares em casa com medo e acenderes o televisor. A música faz as pessoas virem-se juntas.”
Pretendem por isso continuar a apresentar ao vivo “Finito L’Amore’ e compor novas canções. Com actuações previstas para Setembro e Outubro (Ler Devagar, Cáceres, Maxime), aconselham-nos a “como Daffy Duck, expect the unexpected”.
Corsage está portanto no princípio. Ganhou uma entrada para “o rico, iluminado e vasto meio boémio português”, mas com a consciência de que “se quiser mudar alguma coisa terá que trabalhar mais”. Por agora, “queremos é que leiam as letras”. Cada um tirará o seu significado; e, se, Along the Line, o fim, na letra, chega ao Domingo (on Sundays there’s nothing much to do), para Corsage, hoje é segunda-feira.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A Trompa
Entre a pop e alguma folk, numa viagem diferente mas feita sempre com o mesmo génio. É assim “Finito L’Amore”.
Os rapazes não são novos e têm todo o tino para saber exactamente o que fazem. Melhor ainda, o que querem. Editado em CD, “Finito L’Amore” está organizado em dois lados; às vezes diferentes mas sem nunca perderem uma semelhança de base. Se assim o pensaram, melhor o fizeram. Os Corsage oferecem-nos um lado A mais aberto, de uma frescura pop, de brincadeiras levadas muito a sério. De grande serenidade; suavidade. Depois, temos um lado B mais expansivo; não tanto na alegria expressa, mas na forma como se espraie por outros terrenos estéticos. Estilisticamente mais abrangente, o outro lado leva os sons dos Corsage para áreas como a folk, Nino Rota ou Vaudeville, como nos referiu em tempos, Nuno Damião. Sem nunca perder uma acentuada veia pop, há canções mais divagantes, fruto até de variadas combinações instrumentais, como as nascidas do trompete, clarinete-baixo, violino ou acordeão. Sobre o fundo, são como que pequenas histórias, contadas com Frederico Fellini no horizonte.
Um regresso em cheio e cheio de bom gosto, aquele que nos foi proporcionado pelo grupo de Pedro Temporão (baixo), Henrique Amoroso (voz e percussão), Carlos A. Santos (teclados e acordeão), Nuno Damião (guitarras e sopros) e Rui Coelho (bateria). Entre os convidados estão ainda os nomes de Sanja Chakarun (voz), Gonçalo Lopes (clarinete) e Carlos Santa Clara (violino). A produção foi de Hélder Nelson e da própria banda.
Rui Dinis (a-trompa.net)
Os rapazes não são novos e têm todo o tino para saber exactamente o que fazem. Melhor ainda, o que querem. Editado em CD, “Finito L’Amore” está organizado em dois lados; às vezes diferentes mas sem nunca perderem uma semelhança de base. Se assim o pensaram, melhor o fizeram. Os Corsage oferecem-nos um lado A mais aberto, de uma frescura pop, de brincadeiras levadas muito a sério. De grande serenidade; suavidade. Depois, temos um lado B mais expansivo; não tanto na alegria expressa, mas na forma como se espraie por outros terrenos estéticos. Estilisticamente mais abrangente, o outro lado leva os sons dos Corsage para áreas como a folk, Nino Rota ou Vaudeville, como nos referiu em tempos, Nuno Damião. Sem nunca perder uma acentuada veia pop, há canções mais divagantes, fruto até de variadas combinações instrumentais, como as nascidas do trompete, clarinete-baixo, violino ou acordeão. Sobre o fundo, são como que pequenas histórias, contadas com Frederico Fellini no horizonte.
Um regresso em cheio e cheio de bom gosto, aquele que nos foi proporcionado pelo grupo de Pedro Temporão (baixo), Henrique Amoroso (voz e percussão), Carlos A. Santos (teclados e acordeão), Nuno Damião (guitarras e sopros) e Rui Coelho (bateria). Entre os convidados estão ainda os nomes de Sanja Chakarun (voz), Gonçalo Lopes (clarinete) e Carlos Santa Clara (violino). A produção foi de Hélder Nelson e da própria banda.
Rui Dinis (a-trompa.net)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Rádio Zero
Corsage, a Banda Lisboeta que deseja o regresso do bom gosto da POP com o seu mais recente trabalho “Finito L’Amore”, uma sonoridade repleta de vibrações ora introspectivas ora ritmadas. Um disco pensado com um todo mas com particularidades, que tornam cada um dos 14 temas numa obra-prima distinta.
Revista Sábado
“A mais romântica das bandas portuguesas independentes leva à sala Nietsche do Braço de Prata uma selecção das melhores canções do muito aclamado álbum “Finito L’Amore". Imaginativos, bem ritmados, divertidos e às vezes introspectivos,os Corsage são uma grande revelação da música nacional.” Em GPS, guia semanal da Revista Sábado, 07/05/2009
Cotonete
"(...) Finito L' Amore" é o primeiro longo de estreia do quinteto da Grande Lisboa que, entre vários mimos, nos apresenta uma atraente faixa de abertura que não podíamos deixar de sugerir no Cotonete Play: chama-se 'All Their Faces'.A música em questão acentua a individualidade e a razão de existência do grupo, num corte umbilical mais consistente com o universo Tindersticks/Leonard Cohen dos Raindogs. 'All Their Faces' lembra a grandeza de alma dos inesquecíveis Triffids (uma das grandes bandas australianas dos anos 80), muito por causa do doce combinado vocal entre Henrique Amoroso e a convidada do disco Sanja Chakarun a lembrar, pelas melhores razões, o intercâmbio que existia entre o guitarrista e líder David McComb e a teclista Jill Birt que dava uma química especial ao sexteto de Perth." Gonçalo Palma no site Cotonete 11/05/2009
My Magazine
Welcome to Lisbon's view over worldwide trends.
I'm C. Kaplan: journalist, innerpreneur, cultural life voyeur & trends digger
my.magazine.blog@gmail.com
It’s a new romantic indie band from Lisbon. Their 1st album «Finito L’Amore» conquered the critics and the audience’s in a glance. Indifference is imposible.
Depois de lançarem o disco «Finito L’Amore» os Corsage conquistaram unanimemente a crítica e o público. Indie romântica divertida como Lisboa ainda não tinha conhecido. A não perder as datas de Lisboa e Porto em Junho.
I'm C. Kaplan: journalist, innerpreneur, cultural life voyeur & trends digger
my.magazine.blog@gmail.com
It’s a new romantic indie band from Lisbon. Their 1st album «Finito L’Amore» conquered the critics and the audience’s in a glance. Indifference is imposible.
Depois de lançarem o disco «Finito L’Amore» os Corsage conquistaram unanimemente a crítica e o público. Indie romântica divertida como Lisboa ainda não tinha conhecido. A não perder as datas de Lisboa e Porto em Junho.
Feedback
Num Mundo Sempre Sol
Parece-me difícil não entrar logo a matar com a referência mais óbvia ao som de Corsage, o que para mim até é um elogio e uma elegia, visto adorar ambos os grupos. Belle & Sebastian têm o seu legado aqui bem pertinho de nós neste som jovial e fresco, pop de sol e praia, Lisboa até ao por-do-sol em esplanadas de cerveja e caracóis. Ou esplanadas de vinho branco e petiscos gourmet. Esta última parece-me a mais acertada, nunca desdenhando a nossa cultura de cerveja, tremoço, caracóis e festa.
Os Corsage sonham com os olhos e as camisas bem abertas, e fogem ao calor sufocante que por estes dias se faz sentir com belos momentos pop e refrões orelhudos, que de tão frescos e leves parece que já fazem parte de nós. Logo no primeiro momento do disco, All Their Faces, somos transportados para este país colorido, naquele que é provavelmente um dos temas mais belos deste disco. Ao entrar o violino somos conquistados para a vida. O tema seguinte, Dried up, River Blues, continua com o sol nos corações, qual brincadeira de criança adulta. Porque é isso que transparece ao longo do disco: adultos a brincar como crianças alegres.
Quase a meio do disco as coisas acalmam e tornam-se ligeiramente introspectivas, sem nunca perder a identidade Corsage; este som tão seguro de si, tão consciente e tão próprio, que nos faz abrir as janelas todas e deixar entrar a brisa do final de tarde, como no rock brincalhão de faixas como Gatekeepers. Stockings are Gunpowder presta a sua homenagem ao blues e conta com uma secção de sopros à filme italiano. A transição para o "Lado B" é feita com um pequeno trecho intitulado Intervalo, um momento soberbo. Este segundo lado é mais calmo, como se fosse o lado do Inverno e por isso menos excitante.
É interessante essa separação entre dois lados, porque este disco tem, efectivamente, duas faces, mas à primeira audição este segundo lado pode passar despercebido ao ouvinte mais desatento.
Finito L'Amore pode ser demasiado pop para alguns, mas têm dois lados para escolher. Talvez esse seja o ponto fraco, embora os dois lados Corsage sejam igualmente virtuosos e belos, mas hoje em dia o tempo avança também muito mais depressa e pode haver o risco de o disco parar a meio e ser esquecido. O que é pena porque, embora prefira o lado mais solarengo, o segundo lado tem boas melodias de embalar corações. Oiçam no Inverno e no Verão, e troquem os lados ou oiçam só um de cada vez ou oiçam tudo de seguida, vão encontrar boas surpresas aqui. E sim, é música Portuguesa. Não tinha dito?
João Luis Amorim
Parece-me difícil não entrar logo a matar com a referência mais óbvia ao som de Corsage, o que para mim até é um elogio e uma elegia, visto adorar ambos os grupos. Belle & Sebastian têm o seu legado aqui bem pertinho de nós neste som jovial e fresco, pop de sol e praia, Lisboa até ao por-do-sol em esplanadas de cerveja e caracóis. Ou esplanadas de vinho branco e petiscos gourmet. Esta última parece-me a mais acertada, nunca desdenhando a nossa cultura de cerveja, tremoço, caracóis e festa.
Os Corsage sonham com os olhos e as camisas bem abertas, e fogem ao calor sufocante que por estes dias se faz sentir com belos momentos pop e refrões orelhudos, que de tão frescos e leves parece que já fazem parte de nós. Logo no primeiro momento do disco, All Their Faces, somos transportados para este país colorido, naquele que é provavelmente um dos temas mais belos deste disco. Ao entrar o violino somos conquistados para a vida. O tema seguinte, Dried up, River Blues, continua com o sol nos corações, qual brincadeira de criança adulta. Porque é isso que transparece ao longo do disco: adultos a brincar como crianças alegres.
Quase a meio do disco as coisas acalmam e tornam-se ligeiramente introspectivas, sem nunca perder a identidade Corsage; este som tão seguro de si, tão consciente e tão próprio, que nos faz abrir as janelas todas e deixar entrar a brisa do final de tarde, como no rock brincalhão de faixas como Gatekeepers. Stockings are Gunpowder presta a sua homenagem ao blues e conta com uma secção de sopros à filme italiano. A transição para o "Lado B" é feita com um pequeno trecho intitulado Intervalo, um momento soberbo. Este segundo lado é mais calmo, como se fosse o lado do Inverno e por isso menos excitante.
É interessante essa separação entre dois lados, porque este disco tem, efectivamente, duas faces, mas à primeira audição este segundo lado pode passar despercebido ao ouvinte mais desatento.
Finito L'Amore pode ser demasiado pop para alguns, mas têm dois lados para escolher. Talvez esse seja o ponto fraco, embora os dois lados Corsage sejam igualmente virtuosos e belos, mas hoje em dia o tempo avança também muito mais depressa e pode haver o risco de o disco parar a meio e ser esquecido. O que é pena porque, embora prefira o lado mais solarengo, o segundo lado tem boas melodias de embalar corações. Oiçam no Inverno e no Verão, e troquem os lados ou oiçam só um de cada vez ou oiçam tudo de seguida, vão encontrar boas surpresas aqui. E sim, é música Portuguesa. Não tinha dito?
João Luis Amorim
sexta-feira, 29 de maio de 2009
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